DAVID ANTÃO FAZ BALANÇO DA 1.ª FASE
«Não olho para a idade dos jogadores»

Chegou a Lagos há nove meses e pode-se dizer que o “parto” correu muito bem, que é como quem diz, a meta estabelecida foi alcançada. Em 25/26, o Esperança de Lagos atingiu o objetivo definido que era a presença na “Fase de Apuramento de Campeão” da Liga Algarve, mesmo contando com uma equipa muito jovem, baseada em atletas da formação, mas sempre apostada em ser sempre competitiva, independentemente dos adversários que tem pela frente.
À frente desta formação está um técnico muito jovem (37 anos) que, desde a primeira hora, soube perceber o contexto local, ele que até então só tinha conhecido o emblema do clube da sua terra: o FC Ferreiras. Eis David Antão, na primeira pessoa, o “mister” – como é tratado no balneário, que nesta longa entrevista deixou um balanço da 1.ª Fase da temporada e o lançamento do que falta jogar até final da época.
Concluída que foi a primeira fase com o resultado desportivo que se pretendia, como pode classificar estes nove meses de trabalho? Como decorreu a sua adaptação e da equipa técnica ?
Imaginava que o Futebol fosse mesmo a sua vida?
Em primeiro lugar, sabia de antemão que vinha para um clube com uma história enorme. Tive algum cuidado em tentar perceber um pouco do passado do clube, de forma a melhor entender a dimensão social e humana da casa onde iria trabalhar.
Posso dizer que foi uma adaptação muito fácil, quer minha, quer da minha equipa técnica. Penso que é fácil trabalhar comigo, pois procuro ser uma pessoa bastante acessível para quem me rodeia. As pessoas do clube também facilitaram muito a minha adaptação e sobretudo o grupo de trabalho, que logo percebeu o nosso nível de exigência e nunca falharam na entrega permanente. Claro que há sempre aspetos a melhorar, como é normal, mas isto é um processo contínuo e espero que nos próximos dois ou três meses possamos crescer muito mais e de forma bastante positiva.

Ainda assim, e tendo em conta que esta é a sua primeira experiência longe do Ferreiras, se tivesse que apontar dois ou três fatores que considere importantes neste processo de adaptação a Lagos, quais seriam?
Em primeiro lugar, o grupo. Sempre o disse e volto a repetir: o grupo facilitou muito e continua a facilitar muito o meu trabalho. Para já, é uma equipa que aceita muito bem as minhas ideias. São atletas que gostam muito de trabalhar e isso impressionou-me desde o início. Dou um exemplo: se alguém aparecer no nosso Complexo Desportivo às 16h00, muito provavelmente irá apanhar metade da equipa a fazer já trabalho de preparação, mesmo sabendo que o treino só começa às 20h30. Portanto, é uma equipa que gosta de trabalhar e, por isso, facilita muito o trabalho diário do treinador.
Depois, além dos jogadores, as outras pessoas à volta do grupo de trabalho também ajudaram muito neste processo de integração. Falo do nosso Diretor Desportivo, António Nunes, mas também do Francisco Sequeira (Massagista), do José Rosado (Roupeiro), ou ainda outros como é exemplo o presidente António José Alves. Todos foram muito importantes para que rapidamente me sentisse em casa.
“O grupo facilitou muito e continua a facilitar muito o meu trabalho“
Foi fácil implementar novos métodos e novas dinâmicas?
Nunca é fácil para um grupo de trabalho, ou mesmo para um treinador, quando trabalhamos juntos pela primeira vez. Os treinadores anteriores tinham as suas ideias e métodos muito diferentes daquilo que são as minhas ideias, algo muito normal, natural e legítimo. Coube ao grupo fazer, e bem, a adaptação às novas regras e novas metodologias. Pela cultura tática que têm e pela experiência acumulada, os jogadores foram rápidos na assimilação da informação.
Claro que há sempre um processo e, se calhar, no primeiro mês ou mês e meio houve algumas dificuldades, mas nada que não pudesse ser resolvido. Confesso que gostaria de ter tido mais jogos de preparação, mas é todo um processo contínuo e ainda hoje nos estamos a adaptar uns aos outros. Há sempre coisas a melhorar até porque todas as semanas temos novos desafios e é isso que nos motiva a trabalhar dia após dia.
Essa adaptação também aconteceu da sua parte?
Tive o cuidado de fazer a minha análise inicial e perceber a matéria prima que tinha. Antes de estruturar o meu trabalho e definir o modelo competitivo, o famoso sistema, tenho sempre sempre o cuidado de ver quais são os jogadores disponíveis para ver se se encaixam ou não naquilo que será a minha ideia. E, claro, também tive que me adaptar ao grupo de trabalho. É sempre um trabalho contínuo onde, diariamente, tentamos melhorar as nossas capacidades e minimizar os problemas que temos.

Além do treinador principal, este ano chegaram também Eduardo Palma, adjunto, e Pedro Mendes, preparador físico, que se juntaram a João Pacheco e Diogo Santos, técnicos que já estavam na casa. Como avalia essa integração?
Como eu digo, é muito fácil trabalhar comigo. Sou exigente, não fujo disso, e eles próprios o sabem. O Eduardo já tinha trabalhado comigo nas Ferreiras, quer nos juniores, quer nos Sub23. O Eduardo poderia ter tido ali alguma dificuldade inicial, como ele próprio admitiu, porque estava muito identificado com o futebol de formação. A verdade é que se adaptou muito rapidamente às minhas ideias, porque já estava habituado à minha forma de trabalhar. Quanto ao João Pacheco, eu próprio fiz questão de falar com ele e disse-lhe que gostaria de contar com ele, porque ele tinha trabalhado com o plantel na 2.ª Fase da temporada anterior e conhecia os jogadores melhor que ninguém.
O Pacheco foi uma boa surpresa: é muito jovem, adapta-se rapidamente e é muito trabalhador. Achei importante a sua continuidade, tal como a do Diogo, porque são profundos conhecedores do clube, uma vez que foram atletas do Esperança e já estão já há alguns anos com responsabilidade a nível técnico, mas acima de tudo são trabalhadores e muito competentes.
Por fim, o Pedro, a nível de preparação física, era um elemento que nos fazia muita falta e que eu andava à procura, pois acho que existe essa lacuna aqui no Algarve. Tem feito um trabalho formidável e são os próprios jogadores que me dão esse feedback. Trata-se de um jovem que se apresenta aqui no estádio às 4 ou 5 da tarde e sai daqui às 11 da noite. Está sempre disponível, mesmo nos dias em que não temos treino, e por isso é de louvar termos pessoas dessas hoje em dia numa equipa técnica.
“Antes de estruturar o meu trabalho e definir o modelo competitivo, tenho sempre sempre o cuidado de ver quais são os jogadores disponíveis para ver se se encaixam ou não naquilo que será a minha ideia“
Pelas suas palavras, está satisfeito com a equipa técnica que tem…
Estou bastante satisfeito. Era difícil pedir melhor!
PROBLEMAS FÍSICOS E LOGÍSTICOS
Um dos problemas sentidos nesta temporada deriva do facto do arrelvamento do campo principal ter impedido a equipa de jogar no seu “habitat natural”, a relva, derivando para o Campo 2, com piso sintético. Que impacto teve essa questão a nível de jogo e até das lesões musculares que atacaram o plantel ao longo da época?
Ao início, devo confessar, achava que não iria ser um problema para nós a mudança temporária para o novo campo, porque achava que para os adversários também não seria fácil. Depois, com o passar dos jogos, percebi que não era bem assim, pois as nossas características adaptam-se melhor a um campo de maiores dimensões e com relvado natural.
Quero no entanto deixar bem claro que não estou a fazer uma crítica ao relvado sintético que temos que, estou certo, é um dos melhores do Algarve. Porém, não é igual jogar num campo mais pequeno que o normal e muito menos num piso sintético, tal como se viu tão bem recentemente na visita do Sporting à Noruega para defrontar o Bodo/Glimt. Somos uma equipa muito rápida e muito forte fisicamente e, por isso, sempre que jogamos em campos grandes e com relvado natural acabamos por praticar um futebol muito mais positivo, pois são condições que vão ao encontro daquilo que são as características dos nossos atletas.

É mais importante a questão da dimensão do campo ou o tipo de piso?
Ambas. A dimensão ajuda bastante por termos elementos muito rápidos na equipa, como é o caso do Héder, do Bigodinho ou do Major, mas a diferença entre a forma de jogar num relevado natural ou num sintético é necessariamente diferente. Quanto às lesões, há estudo sobre isso que concluem que o piso sintético acaba por massacrar demasiado o jogador a nível físico. Espero apenas que o nosso relvado natural esteja disponível o mais rapidamente possível, porque acho que nos vai ajudar de forma positiva.
“É muito importante os jogadores acreditarem naquilo que são as nossas ideias e o nosso processo“
BALANÇO DA PRIMEIRA FASE
Falemos então desta primeira fase. A equipa entrou bem: um empate em Olhão, seguindo-se uma vitória em casa e um empate fora, em Odiáxere. A partir daí, entrou num ciclo de resultados negativos, mas depois conseguiu uma série de 10 jogos sem perder. Qual é que foi o segredo para conseguir sair desse momento negativo e fazer praticamente uma volta inteira sem conhecer o sabor da derrota?
É muito importante os jogadores acreditarem naquilo que são as nossas ideias e o nosso processo. Mesmo não conseguindo vencer ou não evitando uma ou outra derrota, os jogadores sempre acreditaram e continuam a acreditar. Eles sabiam que era apenas uma fase, porque se nós fizermos uma análise dos nossos jogos, principalmente na primeira volta, é fácil de perceber que fomos sempre uma equipa bastante competitiva.

No Futebol sabemos que há sempre três resultados possíveis, mas lembro-me do jogo fora, com o Louletano B, em que se calhar nunca mais em 10 anos ou 15 anos de trabalho vou ver algo assim, pois tivemos sete ou oito oportunidades na primeira parte, completamente isolados só com o guarda-redes pela frente, e não conseguimos fazer golo. Ou seja, mesmo quando perdemos, fomos competitivos até ao fim. Outro bom exemplo foram os dois jogos frente ao líder Imortal. Em Albufeira, o próprio treinador adversário acabou a partida a dizer que tinha sido um dia de esforço e luta, num jogo em que merecíamos muito mais do que a derrota pela margem mínima. Em Lagos, frente a este mesmo Imortal que é líder incontestável, impusemos um empate a zero bolas, num jogo em que até poderíamos ter vencido.
A mensagem que nós tentamos passar para os nossos jogadores foi sempre clara: isto é um processo contínuo e era uma questão de tempo até melhorarmos os processos e os resultados começarem a aparecer. Foi isso mesmo que aconteceu e, por isso, estivemos quase uma volta inteira sem perder. Claro que nós queremos sempre um bocadinho mais, nomeadamente vencer em vez de empatar, mas foi muito importante termos aquele ciclo de jogos sem perder, pois deu confiança ao grupo de trabalho para se empenhar cada vez mais em cada treino e cada jogo.
É precisamente nesse ciclo de resultados positivos que a equipa se depara com o “mercado de inverno” e com as saídas de peças importantes, como Pedro Lucas ou Nico Jara. Como se gere tudo isso?
Nunca é fácil porque, além dessas saídas, também tivemos entradas que as compensaram mas a integração de novos jogadores nunca é imediata, pois não se dá num estalar de dedos. Esse foi um momento particularmente difícil, sobretudo a saída do Pedro Lucas que não estava prevista, ao contrário da do Nico Jara que sabíamos que poderia sair em janeiro.

Chegaram então, entre outros, João Marques, Jota e Victor Doval. Sente que foi suficiente?
Nós, treinadores, queremos sempre mais do que o que temos, essa é a verdade. Mas sim, é verdade também que não tenho a profundidade que queria no plantel, que neste momento está muito curto. Temos 22 jogadores disponíveis para enfrentar uma segunda fase que será bastante exigente e espero que não existam mais lesões nos próximos tempos, pois as baixas do Jeff e do Ari já são muito penalizadoras para nós. A nível de castigos, também tivemos problemas que temos de evitar e foi essa a mensagem que passei ao grupo. No último jogo da primeira fase, frente ao Culatrense, tínhamos três jogadores castigados que nos poderiam ter feito muita falta e isso não se pode voltar a repetir.
Quanto aos novos nomes, o Jota foi uma peça muito importante porque estávamos a precisar de um jogador com aquelas características. É um jovem muito trabalhador, evoluído técnica e taticamente, e com provas dadas num passado recente pois tem feito golos por onde passa. Foi um jogador que veio acrescentar muito ao nosso jogo, apesar de ter tido necessidade de queimar etapas de preparação, pois estava sem competir há mais de três meses e não tinha feito pré-temporada.
O João é um jogador que nós já conhecíamos, porque tínhamos jogado várias vezes contra ele, e conhecia bem o clube porque já tinha passado nos escalões de formação do Esperança. Foi um jogador que se integrou de forma muito mais rápida, até porque já conhecia muitos jogadores do plantel. São dois jogadores que se adaptaram rapidamente e que nos estão a ajudar de forma bastante positiva.
“É muito importante os jogadores acreditarem naquilo que são as nossas ideias e o nosso processo“

Falou há pouco do Jeff. Aquele golo no último minuto que deu a vitória sobre o Louletano B, um rival direto na luta pelo Top 6, foi o momento mais marcante da época?
Se não foi o mais importante foi dos mais importantes. Todos os resultados positivos que tivemos foram importantes, mas claramente que esse foi um jogo decisivo pois precisávamos muito daqueles três pontos. Antes de iniciar a segunda volta da primeira fase, propusemo-nos a a fazer uma segunda volta melhor do que a primeira e foi isso mesmo que aconteceu. Voltando a esse momento, o facto do golo ter acontecido numa fase final e na sequência de outras jogadas que poderiam ter dado golo, transformou esse momento em algo único e que não iremos esquecer.
Falemos agora da questão da formação. Surpreendeu-se com a qualidade dos jovens atletas formados no Esperança? Falamos de Tiago Lopes, Gonçalo Bigodinho ou de Marco Costa, por exemplo, jogadores que ganharam espaço e garantiram a titularidade em grande parte dos jogos…
Eu não olho muito, nem nunca olhei, à idade dos jogadores. Olho sim para aquilo que é a sua capacidade e o seu trabalho diário. Penso que um treinador não pode lançar jovens só por lançar ou só para deixar o registo para a história.
O Tiago, por exemplo, era fácil de perceber que havia ali qualidades para explorar e fizemos com ele um trabalho contínuo desde o arranque da temporada. Falei muitas vezes com ele e trabalhámos de forma diária. Quando senti que estava no momento certo e quando percebi que ele seria capaz de dar uma boa resposta, lancei-o com a consciência de que não me iria arrepender. É um jovem central com uma margem de progressão enorme e com muito potencial, na minha opinião para bem mais do que um campeonato distrital.
Agora, o trabalho diário que ele irá ter nos próximos meses e nos próximos anos é que vai ditar aquilo que será a carreira dele, mas é um jovem com características bastante importantes para aquela posição: é muito veloz, talvez o central mais veloz que nós temos no plantel, e tem muito bom jogo aéreo. Ainda comete alguns erros pela falta de maturidade, o que é normal, mas é claramente um jovem em destaque. Mas não é caso único, até porque é bom lembrar que no último jogo da temporada entraram em campo cinco atletas formados no Esperança, algo que não é normal nas equipas que lutam pela subida.

“Esse golo [da vitória frente ao Louletano B] foi um momento único e que não iremos esquecer”
Sente orgulho nesse número de jovens formados localmente que chegaram ao plantel principal?
É sempre um motivo de orgulho quando nós conseguimos pegar nos jovens da formação e conseguimos lançá-los no plantel principal, porque sabemos que muitas vezes não conseguem chegar lá. Eu próprio, quando jogava, tive essa dificuldade, e sei bem o salto que é passar dos juniores para os seniores. Termos tantos jovens na equipa principal, jogadores da casa, que sentem o clube como ninguém, é sempre um passo importante para ligar o clube à nossa cidade e à nossa região, fortalecendo a alma lacobrigense. Mas só o podemos fazer se sentirmos que estão totalmente preparados.
Há outros na calha?
Temos outros jovens que poderão chegar lá, mas é tudo um processo evolutivo e contínuo e que não acontece de forma imediata. O Tiago Lopes foi um processo de largos meses e que terá de continuar, mas temos outros jovens da formação, como o Viana, o Cartaxo ou até o Tomé, que acabou por sair e que é um jovem muito talentoso mas que não esperou o tempo suficiente que nós desejávamos. Como eu digo, olho sempre para aquilo que é a capacidade dos jogadores e tento perceber se têm realmente capacidade para pegar de estaca ou não.
“É sempre um motivo de orgulho quando nós conseguimos pegar nos jovens da formação e conseguimos lançá-los no plantel principal”
Há também o caso do Marco Costa, que já antes jogava mas que só agora conseguiu estabilizar em termos de utilização contínua e qualidade de jogo…
Eu já conhecia as capacidades do Marco, até porque ele tinha integrado o plantel do Ferreiras no Campeonato de Portugal. Ele depois acabou por sair, pois não tinha tanto volume de jogo como desejava, mas mesmo nessa altura era um jovem que já mostrava bastante potencial.
Sinto que ele melhorou bastante em certos aspetos, como é exemplo começar a evitar cartões no início dos jogos, algo que o condicionava bastante. É um jogador agressivo de forma positiva e é um líder natural, apesar de ser ainda muito jovem. Teve uma reta final da primeira fase muito positiva, mesmo tendo tido algumas lesões ao longo da época. É um atleta com muito potencial e com uma margem de progressão enorme e, na minha opinião, é um jogador que poderá ser muito mais importante para o o futuro do Esperança de Lagos, sobretudo pelas suas capacidades de liderança.

Qual é que foi o jogador que o mais o surpreendeu pelas suas capacidades técnicas e humanas?
Sei que os treinadores não gostam de individualizar, pois isso por vezes dificulta a gestão do grupo, até porque, como disse, tenho sorte de trabalhar com um grupo de trabalho formidável. Podia falar de outros mas vou referir um até porque não o conhecia tão bem, que é o guardião Hugo Cardoso. O Cardoso surpreendeu-me de forma positiva, tanto a nível profissional como pessoal, pois não estava à espera de ver tanto empenho e dedicação de um jogador que, ao longo da sua vasta carreira, chegou a representar nos escalões de formação alguns dos maiores emblemas nacionais, como o Sporting ou o Estrela da Amadora, ou ainda, mais recentemente, o 1.º de Dezembro e o Real Massamá. Além de excelente profissional, é também um líder natural, até pela questão da idade.
Falo do Cardoso mas também poderia referir o Zid, também ele um atleta muito humilde, mesmo tendo sido internacional pelo seu país e jogado em clubes da dimensão do Sporting de Braga, Moreirense, Naval ou Penafiel. Outro que podia falar é o João Pina que, com a alegria diária e um sorriso que nunca acaba, é um jogador que nos faz muita falta.
“O Cardoso surpreendeu-me de forma positiva, tanto a nível profissional como pessoal”
Segue-se agora a segunda fase da temporada, onde o Esperança só irá encontrar as melhores equipas da Liga Algarve. Até onde poderá chegar esta equipa?
Agora estamos muito menos pressionados e foi essa mensagem que quis passar à equipa. Espero que essa menor pressão nos faça jogar com mais alegria e iremos procurar fazer uma segunda fase melhor em termos de resultados, pois sabemos que ainda não conseguimos vencer nenhum dos nossos cinco adversários desta Fase de Apuramento de Campeão.
Em termos pontuais, queremos acabar o mais próximo possível do primeiro classificado, mas não coloco metas da nossa posição final. Queremos sempre mais, mas sem a pressão da primeira fase, porque estávamos muito pressionados em querer atingir esta fase de Apuramento de Campeão, pois sabíamos que o campeonato era bastante competitivo e a Fase de Descida/Manutenção seria uma guerra até ao fim,
Agora estamos tranquilos nesse aspeto. Obtivemos a Manutenção, que era o mais importante, e agora vamos trabalhar sem pressão, mas sempre para procurar melhorar nos resultados com as melhores formações algarvias.

No final da temporada as bancadas começaram a encher e até famílias estrangeiras que vivem em Lagos surgem agora no apoio à equipa. É isso que deseja para o futuro?
Os resultados ajudam sempre a cativar mais público. Penso que, numa fase inicial, existia alguma desconfiança, o que é normal. Depois tivemos aquela fase mais complicada da época, em que não estávamos a ter resultados tão positivos e, por isso, não tivemos tanta gente no estádio como nós queríamos.
Assim que melhorámos, começou-se a ver mais gente e mais entusiasmo nas bancadas, não só em casa como fora. Lembro-me que fomos jogar a Armação de Pêra e tivemos muito apoio, assim como em Messines ou nas Ferreiras. É bastante positivo e muito importante para nós, todo esse apoio. Ninguém gosta de ir a um estádio e ter apenas duas ou três pessoas de Lagos a acompanhar. Gosto que os sócios e adeptos acompanhem a equipa. Os resultados ajudaram e a comunicação do clube tem tido um papel muito importante na mobilização do povo de Lagos.
“Obtivemos a Manutenção, que era o mais imporante, e agora vamos trabalhar sem pressão”
Que promessa é que pode deixar aos adeptos do Esperança para o futuro?
Trabalho diário. Procuro ser uma pessoa muito trabalhadora e muito exigente comigo e com quem me rodeia. Por isso, não escondo que quero fazer muito mais no Esperança de Lagos. Quando o Tó (António Nunes) falou comigo sobre este projeto, ainda numa fase inicial, disse-lhe que viria para Lagos para mudar as coisas de forma positiva. Uma das coisas que me propus foi fazer melhor do que a época passada, ou seja, atingir a Fase da Apuramento de Campeão, porque um clube como o Esperança não podia cair novamente na fase da descida. Assim sendo, o que prometo é trabalho, ajudar na evolução do clube e tentar elevar o Esperança a outros patamares competitivos, mais condizentes com o enorme legado histórico que transportamos.
