«Venho motivado e com muita vontade de deixar a minha marca»

Nasceu em França, na cidade de Dijon, mais conhecida pela sua mostarda. Porém, não foi na culinária que se destacou porque desde cedo o Desporto, e mais concretamente o Futebol, se assumiu como a grande paixão da vida de David Antão.
Neste arranque de projeto ao comando dos destinos do plantel sénior do Clube de Futebol Esperança de Lagos, ouvimos o que vai na cabeça e na alma de um jovem treinador que, aos 39 anos, tem em Lagos o seu primeiro projeto longe de Ferreiras, onde granjeou fama regional e nacional.
Veio para Albufeira apenas com 10 anos mas o futebol nasceu ainda em França. Como foi a sua infância em Dijon e como é que o futebol entrou na sua vida?
A minha infância em Dijon foi feita de coisas simples: família, escola e muita bola. Tenho dois irmãos mais velhos que jogavam futebol e então, de forma natural também, comecei a jogar e a tomar gosto pelo futebol.
Imaginava que o Futebol fosse mesmo a sua vida?
Na altura, não pensava em ser jogador nem treinador. Só queria jogar. Era aquela paixão genuína, sem pressões, só com vontade de estar a jogar nem que fosse apenas com os meus irmãos. Mais tarde, claro, as coisas começaram a ganhar forma. Entrei num clube, comecei a perceber melhor o jogo e o gosto foi crescendo.
O futebol entrou na minha vida como brincadeira, mas acabou por ser aquilo que me moldou: ensinou-me valores, deu-me estrutura e abriu-me portas. Foi ali em Dijon que tudo começou, sem eu imaginar que um dia estaria a viver o futebol por dentro, como treinador.

Na infância e juventude tinha algum ídolo ou modelo em que se inspirasse?
Como qualquer jovem apaixonado por futebol tive alguns ídolos que me marcaram, tanto dentro como fora de campo. Enquanto jogador, sempre admirei atletas que aliavam qualidade técnica a uma mentalidade competitiva e espírito de liderança. Zidane era a minha maior referência quando era mais jovem.
“Enquanto jogador, sempre admirei atletas que aliavam qualidade técnica a uma mentalidade competitiva e espírito de liderança.”
E como treinador? Quem são os seus modelos a seguir?
À medida que fui desenvolvendo o gosto pela área do treino, comecei também a inspirar-me em treinadores com ideias fortes e capacidade de adaptação, como Mourinho ou Guardiola. Cada um à sua maneira, sempre mostraram uma grande leitura do jogo e uma gestão humana muito eficaz.
Essas referências ajudaram-me a moldar a forma como vejo o jogo e o papel do treinador, mas acima de tudo, tento sempre manter a minha identidade e continuar a aprender todos os dias.
Toda a sua vida enquanto treinador foi dedicada a um emblema, no caso o FC Ferreiras. Não deve ser fácil sair pela primeira vez de um lugar onde foi muito feliz…
O FC Ferreiras foi, sem dúvida, uma casa onde cresci, aprendi e vivi momentos marcantes, tanto como pessoa, como treinador. Levo comigo muita gratidão por tudo o que me foi proporcionado ao longo desses anos.
No entanto, acredito que o crescimento exige sair da zona de conforto, enfrentar novos contextos e continuar a evoluir. Esta nova experiência representa exatamente isso: um novo desafio, com novas pessoas, novas dinâmicas e uma nova realidade.

O que espera desta sua primeira experiência para além do emblema de Albufeira?
Espero poder contribuir com todo o meu conhecimento, dedicação e paixão pelo jogo, ajudando a construir algo sólido e positivo no clube.
Venho com a mente aberta, motivado e com muita vontade de deixar a minha marca, respeitando sempre a identidade do clube e trabalhando todos os dias para alcançar os nossos objetivos coletivos.
“Espero poder contribuir com todo o meu conhecimento, dedicação e paixão pelo jogo”
Quais as expectativas para este ano, tendo em conta algumas questões como por exemplo a probabilidade de não termos o campo principal do Complexo Desportivo de Lagos disponível no arranque da temporada?
As expectativas para esta época são sempre de crescimento coletivo, compromisso com o trabalho e desenvolvimento dos nossos jogadores, Sabemos que as condições ideais nem sempre estão garantidas, e a possibilidade de não termos o campo principal disponível no início da temporada é um desafio que teremos de saber ultrapassar com espírito de equipa e adaptação.
Quais os objetivos imediatos?
Independentemente das circunstâncias, o foco estará sempre em criar uma identidade forte, competitiva e coerente com os valores do clube. Se por um lado a questão das obras no Estádio poderá trazer alguns constrangimentos logísticos e de planeamento, por outro é também uma oportunidade para fortalecer o grupo.
Estamos preparados para enfrentar esse arranque com ambição, sabendo que o sucesso começa na forma como lidamos com os obstáculos desde o primeiro dia.

Tem sistema tático preferido ou prefere adaptar-se aos atletas que tem à sua disposição?
Enquanto treinador, acredito que o mais importante é tirar o melhor proveito das características dos jogadores que tenho à disposição. É fundamental ter ideias e princípios de jogo bem definidos, mas também ser flexível o suficiente para adaptar o sistema tático à realidade do plantel.
Tenho modelos de jogo e estruturas que privilegio, mas não sou rígido em relação a um único sistema. A minha prioridade é encontrar um equilíbrio entre a ideia de jogo que quero implementar e as qualidades individuais e coletivas do grupo. O sistema tático deve ser uma ferramenta para potenciar o rendimento da equipa — e não uma limitação.
“As primeiras prioridades passam por construir uma base sólida a nível coletivo e individual.”
Qual será a sua primeira prioridade?
O trabalho inicial passará por conhecer bem os atletas, identificar os seus pontos fortes e, a partir daí, construir uma estrutura tática que seja coerente com os nossos objetivos e identidade de jogo.
As primeiras prioridades passam por construir uma base sólida a nível coletivo e individual. No imediato, quero garantir que existe uma integração eficaz de todos os elementos do grupo — atletas, equipa técnica e estrutura do clube — para criar desde cedo um ambiente de trabalho positivo, exigente e com objetivos bem definidos.
Para deixar o seu legado, será fundamental que o plantel compreenda os princípios que norteiam a nova equipa técnica…
Do ponto de vista técnico e tático, será essencial começar por introduzir os nossos princípios de jogo, trabalhar a organização da equipa nos diferentes momentos e criar hábitos de intensidade e concentração. Ao mesmo tempo, teremos atenção especial à componente física, para preparar os jogadores de forma progressiva e sustentável.
Por fim, uma das grandes prioridades será criar um sentimento de compromisso e responsabilidade coletiva, onde cada jogador compreenda o seu papel dentro do grupo e os valores que queremos representar dentro e fora de campo.
Que mensagem gostaria de deixar aos sócios e adeptos do Esperança de Lagos, sabendo-se que em 24/25 o clube não conseguiu atingir os objetivos estabelecidos, que passavam pela presença na Fase de Apuramento de Campeão?
Aos sócios e adeptos do Esperança de Lagos, quero começar por reconhecer a importância do vosso apoio e da vossa ligação ao clube.
Nesta nova etapa, o compromisso será total. A minha equipa técnica e eu vamos trabalhar todos os dias com seriedade, exigência e paixão para devolver ao clube a competitividade e a identidade que todos ambicionamos. Queremos uma equipa com atitude, com alma e com vontade de representar bem o símbolo que traz ao peito.
Contamos com o vosso apoio ,porque juntos, clube e adeptos, seremos sempre mais fortes. O objetivo é claro: construir um Esperança de Lagos mais competitivo, mais unido e mais ambicioso.

